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25 outubro 2012

Contos de fadas


Na maioria dos casos, ainda hoje é assim. Muda apenas o conteúdo do balão da mulher.

Vi no Treta

20 junho 2012

Conto de fadas da vida real

Era uma vez uma menina que nunca, nunca, nunca arrumava namorado. Ela vivia triste, desolada com a própria sorte no amor.


Até pensou em se inscrever nesses programas de namoro na TV, mas lembrou que em São Paulo faz frio e desistiu. Não tem agasalhos apropriados e custaria caro adquirir alguns antes do Feirão do Paraíba.


Na rádio, leram seu nome, telefone e o apelo por alguém do sexo aposto para viver momentos maravilhosos. Ninguém lhe procurou. O locutor da voz de veludo transmitiu a mensagem outra dezena de vezes durante a madrugada. E nada.


Tudo parecia perdido. Mas a esperança - não devemos esquecer - é a última que morre.


Era um dia como outro qualquer. O sol torrava juízos em Teresina e a menina assistia Bob Esponja refrescando-se com um Cremosinho de Cajá.


Ele entrou sorrateiro. Em pulinhos miúdos, porém ligeiros venceu a distância entre a porta da sala e o sofá, onde ela esparramara duas horas antes sua preguiça.


Encantado, ele parou diante da menina. Os olhares se cruzaram. O do sapo exalava amor; o dela, esperança.


A menina o tomou nas mãos e beijou-lhe os lábios verruguentos. Ele coaxou de paixão. Ela tentou mais uma vez. No conto de fadas da vida real, o sapo permaneceu sapo.


Desde então ele mudou-se para a tigela antes destinada à água do cachorro de estimação da família.


Dia após dia a menina vai até o sapo e lhe tasca uma bitoca, na esperança de ser aquela uma data encantada. Nada acontece, mas ela não desiste de ter seu príncipe.


Há quem desconfie de um final feliz.


***
História relatada pela jornalista Jéssica Monteiro, que garante a veracidade dos fatos