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17 janeiro 2012

Currículo Lattes


Elmano Férrer Filho, 29 anos, rebento do prefeito de Teresina, Elmano Férrer (PTB), é funcionário da Credishop.

No currículo postado no site Linkedin, o jovem Elmano informa que trabalha há dois anos na empresa, onde atua como analista de segurança. A ligação profissional também está exposta no Facebook do rapaz.


A empresa de cartões de crédito é a mesma que estampa sua bandeira no bilhete eletrônico adotado no sistema de integração de linhas de ônibus da capital.

O Ministério Público Estadual investiga o contrato firmando entre a Credishop e Setut (sindicato que opera o sistema de transporte público da capital). O promotor Fernando Santos quer saber quais os ganhos de ambas as partes com a parceria e se o acordo tem amparo legal.

A Credishop é uma das empresas do Grupo Claudino. Um dos herdeiros da operadora de cartões é o senador João Vicente Claudino. O político é o chefe do PTB no Piauí e principal aliado do prefeito Elmano Férrer.

Mesmo diante das ligações "estreitas" entre Credishop-JVC-Elmano-Setut, não há nada explícito que comprove interesses escusos na contratação de Elmano Filho.

O jovem é um profissional com formação na área e, não, proprietário da empresa ou gestor público.
Tem currículo para exercer a função.
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Em tempo: A competência e a justa contratação do Elmano Filho não é o foco desta publicação. Conforme consta no currículo, o rapaz tem formação e experiência na área. A ideia do texto não é relacionar o emprego do jovem com os outros fatos citados, mas apenas relatar a coincidência do filho do prefeito trabalhar em uma empresa que está no olho do furacão que é o sistema de integração de linhas de ônibus adotado pela prefeitura. Espero, sinceramente, que todos sejam grandinhos o suficiente para discernir sobre isso.

15 janeiro 2012

Prefeitura ignora pedido de reunião do Fórum

A prefeitura de Teresina (PMT) assumiu o discurso que o movimento #contraoaumentoTHE não estava aberto ao diálogo. À imprensa, o prefeito Elmano Férrer (PTB) declarou que nenhum grupo o procurou para negociar.

Nove dias de manifestações depois – em 12/01 –, a Secretaria de Comunicação da PMT emite nota informando que “líderes estudantis” solicitaram reunião para dialogar sobre o sistema de transporte público da capital.

Afirmando que “sempre esteve aberta ao diálogo e tem tratado o transporte público com transparência e participação democrática da sociedade”, a PMT diz que o encontro será agendado.

Na mídia local, o comunicado repercutiu como “a primeira tentativa de negociação entre prefeitura e estudantes”.

Pois bem, três dias antes de Une, Ubes, Dce/Ufpi, Dce/Ifpi, Dce/Fsa, Cde/Ceut, Dce/Cet, Umes, Umest, Ccep e LVJ solicitarem o tal encontro, o Fórum Estadual em Defesa do Transporte Público já havia solicitado reunião com o mesmo teor.

Entretanto, o documento [imagem abaixo] foi solenemente ignorado pelo prefeito Elmano Férrer e toda a sua equipe.




O ideal é agendar uma grande reunião com todos os grupos que compõem o movimento #contraoaumentoTHE, incluindo não apenas partidos e grupos ligados à administração municipal. E desarmar o espírito para negociar e, se for o caso, retroceder em alguns pontos reivindicados.

Enquanto isso não acontecer, o rótulo de "gestão transparente e democrática” não tem razão de existir.

14 janeiro 2012

Luta em Vitória, luta em Teresina

Teresina (PI) e Vitória (ES) são irmãs na luta por um sistema de transporte público justo, com baixas tarifas e qualidade no serviço prestado.

Em solidariedade aos piauienses, estudantes de Joinville postaram na sexta-feira (13) um vídeo unificando o grito de protesto das duas capitais.

"Luta em Vitória, Luta em Teresina,
se em Joinville não baixar, a luta não termina"




Em comentário postado no vídeo, um internauta diz:

"Em Vitória cantávamos assim...
Se passagem não cair / o Piauí vai ser aqui!
"


13 janeiro 2012

Medplan #contraoaumentoTHE


Hacker invade site do Medplan, plano de saúde do Piauí, e posta relato de Helena Beata, presa durante manifestação contra aumento da passagem de ônibus em Teresina. A jovem passou mais de 24h trancafiada em uma cela da Penitenciária Feminina de Teresina.


Tuchê!



Charge do Izânio Façanha com uma leve adaptação. Original AQUI

Imprensa censurada e reprimida

Foto: Regis Falcão

A censura oficial está imposta no Piauí. Quase todos os grandes meios de comunicação do Estado estão alinhados à prefeitura de Teresina e ao empresariado que controla o sistema de transporte público da capital.

A linha editorial de dois dos três principais jornais impressos e de todas as emissoras de televisão criminaliza o movimento popular que está há quase duas semanas nas ruas. Portais e rádios também não estão imunes.

Jornalistas que mantêm a atuação livre sofrem pressões diretas e indiretas de membros da gestão do Executivo municipal. Conteúdos postados em blogs e nos perfis das redes sociais dos profissionais são monitorados.

Twitter, Facebook e blogs são os meios encontrados pelos defensores da causa para romper as barreiras midiáticas e difundir a verdade sobre as manifestações contra o modelo de integração e o aumento da passagem de ônibus em Teresina.


Foto: Regis Falcão

Repressão
Jornalistas e fotojornalistas também são vítimas da repressão policial em Teresina.

O repórter Cícero Portela foi agredido por homens na Rua 1º de maio, nas proximidades da Avenida Frei Serafim. O jornalista fazia imagens de PMs prendendo um estudante durante uma das manifestações quando teve o cartão de memória da máquina fotográfica roubado. Dois policiais assistiram impassíveis à cena.

O fotógrafo Bruna Silva também teve o equipamento avariado quando registrava a ação da polícia. “Um policial da cavalaria atingiu meu equipamento com um cassetete”, conta. Logo depois, homens da tropa de choque levaram o profissional detido para a Central de Flagrantes da cidade. No caminho, os PMs retiraram o cartão de memória da máquina.

“Antes de entrar no camburão um policial tomou a máquina e ficou mexendo. Quando chegou na Central de Flagrantes a máquina tava sem o cartão e danificada”, relata Bruno, que foi liberado logo após esclarecer o que estava fazendo na manifestação. A memória do equipamento foi devolvida no dia seguinte a um amigo do fotógrafo.

Os jornalistas Igor Prado, Rômulo Maia e Regis Falcão também relatam ter sofrido ameaças da polícia durante as coberturas dos protestos.

Vivemos dias sombrios na banda de cá do Brasil.


12 janeiro 2012

Consciência é pra quem tem


História publicada pela jornalista Mayara Bastos no Facebook:

Jorge Luis Bezerra, o Seu Jorge, está acompanhando os manifestantes contra o aumento da passagem desde o 1º dia. Ele vende água e refrigerantes.

No início, o valor cobrado pela garrafinha de água era R$ 2,00. Atendendo a um pedido dos manifestantes, ele conta que baixou a "tarifa da água": agora é R$ 1,50.

"Baixei né! Eles pediram e eu atendi", explica.

Se a moda pega...


11 janeiro 2012

PM lamenta não ter participado de ação contra manifestantes





O policial Gilberto Carlos de Sousa é do Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone), batalhão especial da Polícia Militar que atua em Teresina.

A mensagem acima foi postada ontem (10), logo após a tropa de choque debelar com balas de borracha, spray de pimenta, gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral uma manifestação pacífica.

É uma mostra clara de qual é a disposição dos protetores da nossa sociedade. Que a Corregedoria da PM investigue seus homens.

Obs: a mensagem foi deletada após repercutir nas redes sociais.


Vídeos mostram ação da PM na Frei Serafim

Sequência de vídeos mostra o que aconteceu na Avenida Frei Serafim na tarde de terça-feira (10), quando uma manifestação pacífica contra o aumento da passagem de ônibus foi duramente reprimida por tropas da Polícia Militar.

Os registros estão em sequência. Mostram o ultimato da polícia, os estudantes cantando o Hino Nacional em protesto, o comandante do Bope dando mais 5min de tolerância aos manifestantes e as ações de repressão.

Veja com calma. E depois degluta com racionalidade o que aconteceu na capital do Piauí.


[matéria sobre o assunto AQUI]

09 janeiro 2012

Banda lança música #contraoaumento

A banda Canela de Peixe, piauiense da gema, lança música sobre as manifestações contra o aumento da passagem de ônibus em Teresina.

A canção foi batizada de #contraoaumento, alusão à marca usada nas redes sociais por quem defende a causa. 

Clique no "play", espere carregar e escute.


Canela de peixe - #contraoaumento by canelasounds



#contraoaumento (Canela de Peixe)

Uma moeda , duas três eu não consigo juntar o suficiente que castigo
E eu que só queria chegar lá no meu destino mas com essa tarifa eu viro peregrino
uma moeda, duas três ainda tento pegar um busão aqui é um tormento
Disputo uma sombrinha na parada com mais onze enquanto chega o busão eu pego um bronze

A policia que é pra servir, e proteger toda a população
Me reprimindo sem dó de mim, com pimenta e cacetete na mão
Nós só queremos nos locomover,  não precisa cacetete pra bater
Mas com tanta pimenta assim eu vou levar é acarajé pra nois comer!

O salário do meu pai só de vale se acabou, e o ônibus lotado nem parou (parou)
Galera revoltada invadiu Frei Serafim e a policia papocou pimenta em mim

Enquanto isso o prefeito está bastante preocupado no seu carro aumenta o ar condicionado
Ow seu prefeito acaba logo com todo esse tormento e tweeta a hashtag #contraoaumento

A policia que é pra servir, e proteger toda a população
Me reprimindo sem dó de mim, com pimenta e cacetete na mão
Nós só queremos nos locomover,  não precisa cacetete pra bater
Mas com tanta pimenta assim eu vou levar é acarajé pra nois comer!

Clube Estilingue




Coleguinhas de labuta na cobertura dos atos contra o aumento da passagem de ônibus em Teresina. 

É o Clube do Estilingue.

Câmeras, blocos e canetas a serviço da verdade. 

07 janeiro 2012

O infiltrado


O mesmo homem foi flagrado, em ocasiões distintas, agredindo pessoas que participavam dos atos contra o aumento da passagem de ônibus em Teresina.

Na primeira, em agosto de 2011, ele é visto socando o rosto de um jovem na frente da polícia.

Reincidiu na quinta-feira (05). Novamente durante atos contra o aumento da passagem, ele agrediu uma criança de apenas 7 anos. O menor cobria o rosto com uma camisa, que foi arrancada e jogada nos trilhos do metrô.

Pressionado pelos manifestantes, ele sacou uma caneta espiã do bolso e saiu do local, filmando os insultos.


Foto: Rômulo Maia

Caminhou até a polícia e se refugiou por trás da tropa de choque. De lá, ainda provocou alguns estudantes, mandando beijos e acenando com a mão.

Ia deixar a área em um carro de passeio. Impedido pelos estudantes, foi levado para o interior de uma viatura da PM. Saiu de lá escoltado.

Foto: Rômulo Maia

A PM nega ser um policial infiltrado.

Leitores do blog informam que o nome dele é Joesley Bonfim Anchieta Campelo, um dos donos da "Santa Cruz", que atua no sistema de transporte coletivo da capital.

Joesley e os irmãos herdaram a empresa do pai, José Bonfim Campelo, falecido em 2003.


Que a polícia investigue todos que incitam a violência nas manifestações.



*recomendação: não ameacem ou xinguem. Denunciem!



Vídeos #contraoaumento

Pequenos vídeos que fiz na cobertura dos atos contra o aumento da passagem e o sistema de integração das linhas de ônibus em Teresina.





06 janeiro 2012

Nada que o mestre mandar

Foto: Thiago Amaral


Povo na rua. Cidade em convulsão. Teresina é novamente balançada por protestos de estudantes e trabalhadores. O sistema de integração das linhas de ônibus e o valor da tarifa não agradam.

Entramos no quinto dia de manifestações. Muitos episódios lamentáveis a relatar.

Polícia Militar truculenta. Fotos e vídeos mostram jovens sendo pisoteados pelos coturnos da tropa de choque. Spray de pimenta no rosto de manifestante sem reação. Bomba de efeito moral em gente sentada. Bala de borracha também. Intimidação. Celulares quebrados. Dedo na cara. Gritos autoritários.

Representantes políticos mudos, protestos barulhentos. Radicalização. Ônibus queimado. Vidraças estilhaçadas. “Fantasmão” exorcizado tomba sobre a rede elétrica. Apagão. Breu total na Avenida Frei Serafim. Parada de ônibus depredada. Pancadaria no escuro. PM desce o cassete. Estudante reagindo. Prisões. Detenções. O que seja. Confusão.

Calma! Toda generalização é burra. Grupos recuaram no palco dos confrontos. Atos de violência foram reprovados pelos próprios manifestantes. Excessos não são razoáveis. De nenhum lado. A violência não pode ser creditada a todo o movimento, explicam estudantes.

Quem se importa! “Vândalos! Marginais! Delinquentes!”, grita a mídia reacionária, fazendo coro a políticos e empresários. Semi-verdades. Inverdades. A verdade em último lugar. Ou em lugar nenhum. A parte como o todo.

Psiu! Nenhum piu! No Piauí, poderes e poderosos exercendo a democracia com repressão e censura. Jornalistas encurralados. Uma ligação. “Eu queria esclarecer pra você...”. Segunda ligação. “A gente queria te pedir prudência.” Gestores nas redações. Nenhum efeito. Espíritos livres. Dedos também.

Nova investida. Golpe à imagem de repórter. Acusação falsa. Vídeo mudo no ponto de ser exibido. Imagens oficiais retiradas do contexto real, pré-mastigadas com uma interpretação repugnante. Segundo a gestora: “Ele estava ateando fogo na árvore”. A verdade: Ele procurava os óculos de um colega jornalista.

Emissoras de televisão sedentas. A serviço do jogo sujo. Golpe é descoberto a tempo. Plano abortado. Mas vaza o boato. O mal está feito. “Hua! Hua! Hua!”, sorriem macabramente.

Mais um dia. Novo dia. Índole inegociável. Liberdade muito menos. Como diria Sabino, bêbado lá de Pio IX, “não vendo minha palavra”. Ele negava a oferta de uma doze de cachaça pelo fim da barulheira na rua. Eu nego o medo que tentam me impor.

“Não vou, eu mesmo, atar minha mão”. Afinal, é como diz o mestre Belchior: “a única forma que pode ser norma é nenhuma regra ter; é nunca fazer nada que o mestre mandar. Sempre desobedecer. Nunca reverenciar.”

Desistam! Não me rendo!